Espaguete de abobrinha e uma semana de imprevisões

Tem coisas que acontecem na nossa vida e a gente não tem como prever. Ficamos o tempo todo empenhados nessa correria que é a vida moderna. A gente faz mil planos e está sempre ligado no 220v, já reparou? Mas tem vezes que acontecem coisas que nos forçam a desacelerar e até mesmo a repensar nossas rotinas, como estamos lidando com nossas vidas, nossos corpos, nosso tempo e, principalmente, nosso sentido de urgência.

Essa semana definitivamente foi uma semana imprevisível. No domingo passado, fui dormir feliz da vida com tudo planejado para a semana que se iniciava: muito trabalho a fazer, escrever a tese, dieta de volta nos eixos, academia seis vezes na semana, ver amigas no sábado, fazer a feira de verduras e vegetais, ver os seriados que estavam pendentes. Parecia tudo perfeitamente orquestrado, exceto por um detalhe: acordei me vendo de dor. A princípio o que parecia ser só uma cólica abdominal se tornou numa hérnia e encerrei a semana fazendo uma cirurgia para ajeitar tudo.

Durante essa semana agitada, coisas simples como tomar um iogurte ou comer uma maçã tinham se tornado impossíveis. É nessas horas que a gente pensa o quanto não valoriza as coisas mais cotidianas da vida. Enquanto estava internada no hospital, tudo que eu pensava era em quando poderia vir pra casa, tomar aquele banho de cabeça e fazer uma refeição que não fosse intravenosa. Eu sei que toda essa conversa parece bem clichê, e é!, mas é justamente por ser clichê, trivial, que a gente costuma desprezar as pequenas rotinas, os pequenos prazeres.

Fui autorizada pelo cirurgião a voltar a comer normalmente a partir de hoje. E que alegria uma coisa tão simples como um prato de ~espaguete~ de abobrinha e molho bolonhesa podem trazer à alma do ser humano que vos fala. Esse é daqueles pratos que normalmente eu nem posto, de tão simples que são.

Hoje, no entanto, quis fazer diferente, quis valorizar a simplicidade e leveza da receita, que combina com esse momento em que me encontro. Repensando algumas prioridades que tenho estabelecido no meu cotidiano, desacelerando o ritmo que vinha meio louco desde a aprovação no concurso, a mudança de volta para Fortaleza no mês passado, começar a trabalhar e reorganizar a vida.

Como estou ainda sem poder cozinhar, mamãe quem foi a chefe da vez. Ajudei a preparar o espaguete de abobrinha, coisa que não tem muito mistério. Com esse thunder-power-mega-blaster-pro descascador de legumes ninja vendido em qualquer lojinha de utensílios domésticos ou camelôs, você rapidinho transforma a abobrinha em tirinhas de ~espaguete~. Depois é fazer o molho e aproveitar 🙂

Espaguete de Abobrinha com molho Bolonhesa

Ingredientes

1 abobrinha média

1 cebola roxa

2 dentes de alho

200g de carne moída

1/2 xícara de extrato de tomate

2 colheres de azeitonas verdes picadas

1 colher de mostarda dijon

2 colheres de manteiga

2 colheres de azeite de oliva

Queijo parmesão ralado

Ervas finas

Sal e pimenta a gosto

 

Modo de Fazer

1. Lave a abobrinha, enxugue e rale em tirinhas finas.

2. Coloque a abobrinha ralada numa peneira, polvilhe umas pitadinhas de sal e reserve. Isso fará com que a abobrinha solte seu suco e fique mais sequinha, não soltando água no molho.

3. Tempere a carne moída com 1 dente de alho, ervas finas, sal e pimenta.

4. Cozinhe a carne moída e reserve, juntamente com o caldo.

5. Pique a cebola e o alho em cubinhos.

6. Numa panela coloque a manteiga e a cebola e refogue em fogo médio.

7. Quanto a cebola estiver mais branquinha, acrescente o alho.

8. Acrescente a carne moída com um pouco do caldo e misture bem.

9. Despeje na panela o extrato de tomate e misture bem.

10. Coloque a mostarda e as azeitonas.

11. Acrescente sal e pimenta a seu gosto.

12. Numa outra panela, coloque o azeite de oliva e salteie rapidamente as abobrinhas.

13. Monte o prato e polvilhe queijo ralado 🙂

 

Dicas Pra Lamber os Dedos

1. Você pode substituir a abobrinha por cenoura ou qualquer vegetal de textura firme que desejar.

2. Eu uso cebolas roxas porque as considero mais saborosas, mas funciona com as cebola que você tiver.

3. Você pode acrescentar outros temperos que deseje à carne. Fica ao seu gosto e a critério do que você tiver em casa.

4. Usamos extrato de tomate porque era mais prático, mas se você quiser fazer seu próprio molho pode ficar à vontade.

5. É importante só colocar o alho depois que a cebola já estiver soltando água e fritando no refogado, se colocar os dois juntos, o alho acaba queimando e deixando um amargor no sabor.

6. Esse molho pode ainda levar cenouras raladas e calabresas ou bacon, o que o tornaria um autêntico molho bolonhesa. Se quiser fazer assim. Refogue as cenouras raladas e cubinhos de bacon ou calabresa juntamente com a cebola, antes de acrescentar o alho. Deixe que fritem bem e só então acrescente o alho.

7. Usamos parmesão fresco ralado, mas se você só tiver do de pacotinho, pode ir fundo.

8. Esse molho funciona bem com frango em pedacinhos ao invés de carne moída. Quando faço com frango, coloco uma colher ou duas de requeijão cremoso para reduzir a acidez e deixar a consistência mais firme, porque prefiro molhos mais cremosinhos.

9. Esse é um prato com baixo teor de carboidratos, então dá pra comer e repetir sem culpa 🙂

10. A medida dessa receita serve muito bem duas pessoas.

11. Se você quiser outras ideias de pratos com abobrinhas, é só ir neste post

12. Bom apetite 😀

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Bolinho Ligeiro de Chocolate

Na minha família, todo mundo ama bolo. Seja bolo fofo, bolo mole, bolo cremoso, bolo de rolo… Bem, vocês entenderam. Vez por outra minha irmã me liga pedindo preu fazer um bolo pra ela, como é o caso do bolo de pêra que ela ama. Quando não, é minha mãe quem chega pedindo por uma doçurinha para tomar com café no fim da tarde.

Esse foi o caso desse bolinho de hoje: mamãe tava com desejo de bolo de chocolate para comer no lanche dela. Pensei num jeito de agradar minha mãe e ainda resultar numa receita amiga de cintura et voilà! Saiu esse bolinho super rápido de fazer.

 

Bolinho Ligeiro de Chocolate

Ingredientes

3 ovos

3 colheres de sopa de cacau em pó

2 colheres de farinha de castanha de caju

2 colheres de farinha de linhaça dourada

1 colher de manteiga

2 colheres de adoçante

1 colher de chá de fermento

 

Modo de fazer

1. Pré-aqueça o forno.

2. Bata os ovos bem batidos, até que dupliquem de tamanho. Usei o processador, mas pode usar batedeira.

3. Misture os demais ingredientes, menos o fermento.

4. Bata bem batido.

5. Acrescente o fermento.

6. Bata bem.

7. Despeje numa forma untada com manteiga ou numa de silicone.

8. Leve ao forno por cerca de 20 minutos ou até estar firme ao toque.

 

Dicas pra Lamber os Dedos

1. Essa receita pode ser consumida por quem faz dietas com restrição de glúten.

2. Ela também é baixa em quantidade total de carboidratos por porção.

3. Se você tiver problemas com manteiga, pode substituir por óleo de coco ou azeite.

4. Se quiser, pode substituir uma das colheradas de farinha de castanha de caju por psyllium. Ele aumenta o teor de fibras da receita e ainda deixa o bolinho mais fofinho.

5. Como não leva leite, essa receita é lacfree 🙂

6. Se quiser usar achocolatado, veja a necessidade de adoçante, já que o achocolatado já vem adoçado e contém leite na composição.

7. Se quiser, pode acrescentar 1 colher de chá de essência de baunilha na massa. Isso vai dar um perfume delicioso.

8. Pode acrescentar também canela em pó =)

9. Quando fizer o bolo, posta a foto no instagram e me marca com a tag #pralamberosdedos 🙂

10. Se quiser, me segue no instagram que sempre rola uma diquinha ou receitinha rápida por lá: @jorjacruz

Parabéns, Mãe!

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Hojé é aniversário dela, a mulher que me ensinou a ser quem eu sou, que me inspira a querer ir além em tudo. Foi com ela que eu aprendi a cozinhar, a apreciar os prazeres que a cozinha pode revelar. Aprendi a seguir receita, mas sempre usando de criatividade para que cada prato seja a cara daquele momento.

Eu feliz que a vida permitiu que a gente pudesse passar esse dia juntas, porque morar longe nem sempre permite que a gente compartilhe desses momentos. O bom é que toda vez que a gente se vê é surpresa, é festa, é contentamento. Eu, mamãe, Germana e Cléo nas nossas aprontações, nas nossas horinhas de descuido.

Feliz aniversário, mãe! Que a vida seja docinha feito o bolo de baunilha e coco que a gente comeu hoje de manhã 🙂

Baião-de-dois

Hoje, 17 de maio, tem a celebração do Food Revolution Day, uma ideia do Jamie Oliver, aquele chefe meio afobado, mas super criativo. O food revolution day tem como ponto chave a valorização de comida de verdade, feita em casa, com aquela atenção e busca por sabores. É uma campanha para que as pessoas passem a comer mais comida de verdade, naturais e menos coisas industrializadas e com conservantes.

Fiquei pensando aqui, e se tem uma comida que me lembra o sabor de casa e de comida de verdade, essa comida com certeza é o baião-de-dois. Para alguns pode não passar de uma mera mistura de arroz e feijão, mas na minha cabeça (e barriga) baião lembra fartura na cozinha, lembra sempre o assalto aos pedacinhos de queijo coalho que minha mãe manda partir para colocar dentro, lembra o desafio de aprender a cozinhar feijão…

Te dedico, Jamie Oliver

Quando vim morar só, uma das primeiras coisas de que senti falta foi do feijão. Nunca fui muito de arroz, porque sempre preferi a farofa como acompanhamento. O problema do feijão é que não dá pra cozinhar duas colherinhas de feijão (até dá, mas você entendeu), ele requer quantidade. Nos primeiros meses, como não tinha a estrutura de cozinha que me permitisse cozinhar, ia no self-service para comprar apenas feijão. Era algo que animava meu dia. Pegar a vasilha, colocar umas duas conchas de feijão e levar para a balança. A moça sempre me olhava estranho, principalmente porque só havia placa que te cobrava a mais por querer comer só carne, mas não havia nenhuma placa que te impedisse de só querer comer feijão. E a pergunta habitual era: tem certeza de que não quer mais nada?

Depois que me mudei, uma das primeiras coisas que fiz foi tirar o atraso dos meses iniciais e convidar alguns amigos para provar do bom e velho baião-de-dois feito do jeitinho cearense, mais cremosinho, com queijo coalho… Lembro de ligar para a minha mãe para confirmar algumas vezes todos os ingredientes, se tinha mais alguma coisa que eu deveria saber e colocar na panela, porque há toda uma odisseia em busca dos gostos de casa quando se está longe.

Ontem aqui em casa teve mais um desses momentos: os amigos reunidos e o prato da vez era o baiãozinho nosso de guerra. Como acompanhamento, para fazer uma mesa cearense com certeza, carne de sol, macaxeira frita bem sequinha e ela, a nossa querida, idolatrada e salve-salve farofa amarelinha. Como o que é bom a gente quer sempre dividir, resolvi que como primeira receita o baião-de-dois seria uma boa pedida. Ah, a foto foi meu almoço de hoje e que eu postei no meu perfil no instagram.

Baião-de-dois simples de fazer

Ingredientes:

500g de feijão carioca cozido com caldo grossinho (usei o da Turma da Mônica, porque achei os grãos bonitos, era o mesmo preço dos outros, mas a embalagem era mais fofa =D )

250g de arroz parboilizado cozido (fiz dois pacotinhos daqueles que vendem separados em porções no supermercado)

200g de queijo de coalho cortado em cubinhos (se você tiver outro tipo de queijo gostoso, tá valendo! com muzzarela fica tudo de bom e bem puxa-puxa)

1 dente de alho picado (pode ser uma colher daqueles alhos já picados)

1/2 cebola cortada em cubinhos (essa você mesmo tem que picar)

1 fio de azeite de oliva (pode ser manteiga)

sal e pimenta do reino a gosto

Preparo:

Em uma panela grande, refogue o alho e a cebola no azeite. Acrescente o feijão e o caldo grossinho, e vá adicionando sal e pimenta a seu gosto. Misture bem com a cebola e o alho. Vá acrescentando o arroz cozido aos poucos, mexendo bem para que a mistura fique uniforme. Deixe cozinhar mais um pouco e vá colocando o queijo de coalho em cubinhos, mexa para que tenha queijo distribuído em todo o baião. Deixe em fogo baixo para que o caldo seque mais um pouco, mexendo de vez em quando para não grudar no fundo da panela.

Dicas de lamber os dedos:

1. Às vezes eu ainda polvilho um pouco de ervas finas ou orégano para dar uma diferenciada no sabor.

2.Você pode ainda, na hora de servir, colocar um pouco de nata ou requeijão por cima, ou mesmo queijo ralado. Esses acompanhamentos dependem da sua disposição para as suculências do prato e o que você tiver na geladeira.

3. Essa é uma forma mais simplificada de fazer o baião como se come no Ceará, mas existem outras maneiras e adaptações. Inclusive, é possível substituir o feijão por qualquer outro que você tenha á disposição. Já fiz com feijão preto e ficou delicioso.

4. Com farofinha de ovo essa receita fica top! 🙂